quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

#124 - "Se a morte fosse uma casa branca", Fernando Jorge Fabião

Se a morte fosse uma casa branca
e eu tivesse uma palavra breve e obscura.
Se a morte fosse um sono tão leve
que o murmúrio do vento a deixasse enlouquecida.
Se a morte fosse o instante entre o ir e voltar
uma pedra redonda e frágil atirada ao sono
do mundo.
Reunia os meus mortos, falava-lhes da sombra
que habita nas coisas
das malvas rodeando o poço.
Talvez a música do vento nos salgueiros
ou a canção das abelhas ardesse
intacta por dentro das palavras.

quarta-feira, 19 de abril de 2017

#123 - NUNCA O AMOR FOI BREVE..., Sebastião da Gama

Nunca o Amor foi breve,
quando deu fruto.
(Cantai, aves do ar,
em volta do seu berço!)

Sagre-o a Dor, nenhum Amor é vão.
Exulta, voz das ondas!
-- O seu Amor floriu, deu fruto,
como as árvores.

Cantai, aves do ar,
em volta do seu berço.
Cintilantes do Sol, saltai ao Sol,
peixes do Mar.

nunca o Amor foi triste. Nem a Vida
foi menos bela.
Baila contente, lágrima!,
baila nos olhos dela.