Quando o meu corpo apodrecer e eu for morta
Continuará o jardim, o céu e o mar,
E como hoje igualmente hão-de bailar
As quatro estações à minha porta.
Outros em Abril passarão ao pomar
Em que eu tantas vezes passei,
Haverá longos poentes sobre o mar,
Outros amarão as coisas que eu amei.
Será o mesmo brilho a mesma festa,
Será o mesmo jardim à minha porta,
E os cabelos doirados da floresta,
Como se eu não estivesse morta.
segunda-feira, 17 de novembro de 2014
#57 - QUANDO O MEU CORPO..., Sophia de Mello Breyner Andresen
Etiquetas:
Sophia de Mello Breyner Andresen
#56 - "Senhor, eu vivo coitada", D. Dinis
Senhor, eu vivo coitada
vida, des quando vos non vi;
mais, pois vós queredes assi,
por Deus, senhor ben talhada,
querede-vos de min doer
ou ar leixade-m' ir morrer.
Vós sodes tan poderosa
de min que meu mal e meu ben
en vós é todo; [e] por en,
por Deus, mha senhor fremosa,
querede-vos de min doer
ou ar leixade-m' ir morrer.
Eu vivo por vós tal vida
que nunca estes olhos meus
dormen, mha senhor; e, por Deus,
que vos fez de ben comprida,
querede-vos de min doer
ou ar leixade-m' ir morrer.
Ca, senhor, todo m' é prazer
quanti i vós quiserdes fazer.
vida, des quando vos non vi;
mais, pois vós queredes assi,
por Deus, senhor ben talhada,
querede-vos de min doer
ou ar leixade-m' ir morrer.
Vós sodes tan poderosa
de min que meu mal e meu ben
en vós é todo; [e] por en,
por Deus, mha senhor fremosa,
querede-vos de min doer
ou ar leixade-m' ir morrer.
Eu vivo por vós tal vida
que nunca estes olhos meus
dormen, mha senhor; e, por Deus,
que vos fez de ben comprida,
querede-vos de min doer
ou ar leixade-m' ir morrer.
Ca, senhor, todo m' é prazer
quanti i vós quiserdes fazer.
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