Amanhã que é dia dos mortos
Vai ao cemitério. Vai
E procura entre as sepulturas
A sepultura de meu pai.
Leva três rosas bem bonitas.
Ajoelha e reza uma oração.
Não pelo pai, mas pelo filho:
O filho tem mais precisão.
O que resta de mim na vida
É a amargura do que sofri.
Pois nada quero, nada espero,
E em verdade estou morto ali.
sábado, 17 de maio de 2014
#18 - POEMA DE FINADOS, Manuel Bandeira
terça-feira, 13 de maio de 2014
#17 - MEMÓRIA DE MINHA MÃE, José Carlos González
Por que razão sempre pensei que fosses
mulher fria hierática distante
igual aos teus antepassados de Covadonga
aos celtas híbridos de Iberos
e que os teus cabelos muito jovens brancos
sinal fossem de tudo isso?
Por que razão sempre te amei tão pouco
quando amar-te era o meu mais fundo desejo
saber que quando rias era verdade
como as rias da nossa Galiza
e os recifes abruptos da velha Astúrica?
Agora que estás longe longe de mais
mulher fria hierática distante
igual aos teus antepassados de Covadonga
aos celtas híbridos de Iberos
e que os teus cabelos muito jovens brancos
sinal fossem de tudo isso?
Por que razão sempre te amei tão pouco
quando amar-te era o meu mais fundo desejo
saber que quando rias era verdade
como as rias da nossa Galiza
e os recifes abruptos da velha Astúrica?
Agora que estás longe longe de mais
os teus olhos secos a tua pele com algumas sardas
o teu andar vagaroso mas vivo
agora que tudo isso é uma ideia um repouso
forçado num pequeno cemitério chamado Xiesteira
talvez comece a saber que não eras uma mulher fria
e que me amavas porventura muito
à tua hierática maneira
o teu andar vagaroso mas vivo
agora que tudo isso é uma ideia um repouso
forçado num pequeno cemitério chamado Xiesteira
talvez comece a saber que não eras uma mulher fria
e que me amavas porventura muito
à tua hierática maneira
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